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  Visita ao Planetário
quarta-feira, 23 de Junho de 2010

  Ao raiar do dia, os jovens “astronautas” embarcaram no autocarro, prenderam os cintos e rumaram a Lisboa, onde iriam conhecer um espaço dedicado ao conhecimento e à descoberta. Iam viajar pelo cosmos.

 

Após a longa viagem, os intrépidos viajantes restabeleceram energias com uma apetecível refeição preparada na escola, nos belos jardins ladeados pelo Mosteiro dos Jerónimos e pelo próprio Planetário. Enquanto se refastelavam, o olhar ia perscrutando os cantos e recantos em volta, prendendo-se, sobretudo, na grande abóbada que caracteriza o afamado edifício. “Para que servirá aquela estrutura tão grande?”, inquiriam entre dentadas na piza que tinham levado.
Não se detendo por questões arquitecturais, e após o repasto, lançaram-se nas brincadeiras, queimando minutos de espera até à hora de entrada. Aproveitando as âncoras e hélices espalhadas pelo jardim, eis que as “escondidas” pareciam a brincadeira mais adequada. E assim o fizeram. “... 48... 49... 50! Aqui vou eu!” – ouvia-se, de quando em vez, de vozes que quebravam o relativo silêncio daquele espaço.
Como as brincadeiras “queimam” rapidamente o tempo disponível, quando deram por si estavam já perfilados para a entrada. Sem se aperceberem, uma multidão, de alunos que vinham conhecer o “espaço”, engoliu-os e apressou-os a ocuparem os lugares destinados para a tão aguardada viagem interplanetária.
Já sentados nos curiosos cadeirões – curiosos pois obrigam os seus usuários a ocuparem uma posição quase horizontal – os navegadores interestelares iam reconhecendo alguns pormenores espalhados pela monumental abóbada, cujo exterior tinha sido tão questionado. “Ah! Deve ser o céu!” – pensamento que percorreu as mentes dos jovens destemidos. “Professora! Ali é o Norte e depois o Oeste... Isto demos na aula” – lançavam à medida que descobriam os pontos cardeais por lá identificados. Em frente, uma maquinaria estranha, cheia de luzes e lentes, surgia como motivo de espanto. “Para que servirá?” – demandavam em uníssono, demonstrando a curiosidade que os cobria e os levava a desejar o começo da “viagem”.
De repente, uma voz surge no ar, obrigando os alunos a rodarem a cabeça, procurando a sua origem. Era a voz do “piloto” que iria guiá-los durante a viagem, identificando as estrelas, os planetas, as constelações e os mais variados corpos e astros celestes, que abundam pela imensidão do Universo. Com questões, afirmações e exclamações, o guia saciava a curiosidade e reduzia a factos o encanto que o visualizar do céu nocturno lhes provocou desde o início. É isso... a magia e o encanto do desconhecido, tornam-se factos e curiosidades quando lidamos com quem faz da vida uma viagem à ciência e à vida dos astros.
A questão que paira no ar, após tão curiosa viagem, é se algum dos nossos “astronautas” quererá ser isso mesmo: um astronauta!


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